A História do Município de Piraí
09. Início do século XX: Piraí após o fim da produção de café
Na primeira metade do século XX, com a extinção das grandes lavouras de café, as terras das fazendas produtoras foram simplesmente abandonadas, invadidas pelo mato. Entretanto, uma parte dessas terras foi transformada em pastos para a criação de gado. O restante acabou mesmo se tornando capinzais sem nenhum proveito.
Nessa época, no âmbito mundial, ocorria um fenômeno econômico em países europeus que atravessavam a Segunda Revolução, chamado de Imperialismo. Esse fenômeno consistia no seguinte: países ricos da época passaram a instalar suas grandes empresas em países mais pobres, pois elas já dominavam certos setores da sua economia (capitalismo monopolista).
Por volta de 1900, foi instalada em nosso município, na gestão do prefeito Ildefonso Brant Bulhões de Carvalho, a usina de eletricidade Light and Power. Mas, para que isso acontecesse, houve a necessidade de se represar água numa grande área de nossa região. Esse fato causou um enorme desequilíbrio ecológico na época, gerando surtos de malária na região do nosso município. Além do mais, a histórica cidade de São João Marcos (como vimos, região de onde Piraí se derivou) foi inundada por essa represa, e a grande Cachoeira do Salto, que se situava em Ribeirão das Lajes, foi extinta para ser aproveitada na construção da usina. Certa vez, essa cachoeira foi chamada pelo comendador Matozinho, personagem da história piraiense, de “uma das 7 maravilhas do mundo”. Inteligente e poeticamente, o Pe. Reynato Breves, em sua obra “Sant’Ana do Piraí e a sua história”, fez o seguinte comentário sobre essa cachoeira: “Foi sacrificada a bela cachoeira, foi sacrificada a histórica cidade de São João Marcos para o Rio de Janeiro ter mais luz.”
Ora, o alagamento causado pela instalação da usina contribuiu ainda mais para o despovoamento da zona rural, o que provocou um enfraquecimento maior na agricultura do nosso município e, conseqüentemente, fortaleceu a prática da pecuária, já que esta não dependia de um quantitativo maior de mão-de-obra como a agricultura de grande porte dependia.
Assim, a retomada do progresso em nosso município de Piraí na primeira metade do século XX se deu principalmente com o desenvolvimento da pecuária e a instalação de empresas em nossa região, como a usina de eletricidade da Light e, mais tarde, em 1925, a Companhia Industrial de Papel Pirahy, atualmente com o nome de Schweitzer-Mauduit do Brasil. A abertura de novas estradas e os serviços de saneamento também contribuíram para esse progresso.
Em 1920, nosso município possuía 250 proprietários rurais, com 40.410 cabeças de gado e 3.108 suínos.
Na área da educação, foi inaugurado, em 1918, no governo do prefeito Domingos Mariano Barcellos de Almeida, o Grupo Escolar Martins Teixeira. Esse colégio ficava onde hoje se situa o Foro de nossa cidade.
Por volta de 1927, houve um esforço do nosso governo municipal, durante a administração do prefeito Henrique Nora, para promover o progresso de Piraí através da conservação de estradas em nossa região. Posteriormente, na 3a gestão do prefeito Otávio Teixeira Campos (1939-1941), foi criado em Piraí o Serviço de Estradas e Caminhos Municipais (SEECM), com autonomia administrativa e financeira para acelerar o progresso rodoviário no nosso município por meio da criação e manutenção de estradas.
Na área da saúde, em 1928, foi inaugurado o Hospital de Piraí (Hospital Flávio Leal).Ele foi fruto dos trabalhos da extinta Irmandade do Santíssimo Sacramento de Sant’Ana do Piraí, fundada em 1838, e que atuou até meados do século XX. Dentre seus fundadores ilustres estavam José Joaquim de Souza Breves (1o governante de Piraí) e José Gonçalves de Moraes (Barão do Piraí). Era uma entidade ligada à igreja católica e que muito contribuiu para o progresso social e urbano do nosso município. A Irmandade chegou a ter quase 1.000 membros, inclusive de outros municípios como Barra do Piraí, Resende, Valença, Petrópolis, Rio de Janeiro etc.; de outros estados como São Paulo, Minas Gerais etc.; e até mesmo da Europa! O atual cemitério de Piraí também foi mais uma obra derivada do esforço dessa entidade.
E quanto a nossa agricultura? Bem, o próprio governo brasileiro incentivou na época a volta das práticas agrícolas nas antigas terras. Porém, dessa vez, o incentivo maior era voltado para os pequenos agricultores. O governo lhes fornecia auxílio financeiro e fertilizantes mais baratos, além do apoio técnico através de seus agrônomos. |