A História do Município de Piraí
04. A influência sobre Piraí da vinda da Corte Portuguesa para o Brasil
Como sabemos, em 1808, a Corte Portuguesa instalou-se no Brasil, mais precisamente na cidade do Rio de Janeiro, para se proteger da invasão francesa a Portugal liderada por Napoleão Bonaparte. Na época, o príncipe de Portugal era Dom João VI.
Todavia, a economia brasileira era movida basicamente pela exportação de cana-de-açúcar e de algodão. Ocorria que, esses nossos produtos estavam perdendo valor no mercado internacional em relação aos mesmos produtos produzidos por países concorrentes, pois eles os vendiam por preços mais baixos.
Por outro lado, o café era bastante procurado nos mercados europeu e americano. O Brasil concorria com as Antilhas na exportação desse produto. Mas devido aos efeitos da Revolução Francesa na época, a produção de café desse nosso concorrente foi enfraquecida.
Dom João VI, observando tudo isso, passou a incentivar o plantio de café no Brasil, não só pela oportunidade econômica que se abria, mas também para formar uma elite política e econômica que apoiasse o Estado escravocrata. Ou seja, em troca do apoio político e econômico dado pelos cafeicultores, o Estado Imperial garantiria a expansão do setor cafeeiro através da manutenção da escravidão e do auxílio aos grandes fazendeiros em suas decisões locais. E foi exatamente o que ocorreu. Assim, os principais administradores e políticos do império foram os grandes cafeicultores.
O clima e a terra do Vale do Paraíba, onde se encontra nosso município, eram considerados ótimos para o plantio do café. Dessa forma, a nossa região de Piraí foi também naturalmente envolvida nos planos do rei.
A política de Dom João VI visava ao favorecimento das elites na distribuição de terras. Assim, elas foram distribuídas para o plantio de café aos grandes proprietários que aqui já se encontravam. Na verdade, eles constituíam as famílias dos antigos tropeiros (lembram-se ?), que haviam acumulado muito dinheiro como comerciantes, ainda na época do ouro em Minas Gerais. Ou então, quem se beneficiava com a distribuição de terras pela Corte Portuguesa eram os altos funcionários da própria Corte, por ela escolhidos. |